Multidão reunida no bosque ouvindo a pregação de João Batista, pintura de Bruegel
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Discurso: a revista de filosofia da USP

Toda tradição filosófica forma leitores à sua imagem. Quem só lê analíticos aprende a desconfiar de quem escreve bonito; quem só lê continentais aprende a desconfiar de quem formaliza. As duas desconfianças empobrecem.

A Discurso, editada pelo Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, publica declaradamente sem distinguir correntes ou escolas, e é por isso que vale como leitura de formação.

O que é

Periódico com avaliação por pares, ligado ao departamento de filosofia mais antigo e mais influente do país. Propõe-se a abordar as mais diversas manifestações de reflexão sobre a cultura, o que na prática significa artigos de história da filosofia ao lado de discussão contemporânea, sem recorte de escola.

Acesso aberto pelo portal de revistas da USP. ISSN 0103-328X na impressa e 2318-8863 na eletrônica.

Por que serve como fonte

Pela tradição de leitura de texto que o departamento consolidou. A chamada escola uspiana formou gerações no método de comentário rigoroso — ler o texto na sua estrutura interna antes de julgá-lo —, e esse método aparece no que a revista publica.

Para quem vem da teologia, o ganho é direto: é exatamente a disciplina que falta a boa parte da literatura devocional, que cita um filósofo pela frase de efeito sem ter lido o argumento de onde a frase saiu.

Como usar no dia a dia

Para aprender a comentar texto. Escolha um artigo sobre um autor que você conhece mal e observe o procedimento: como se delimita o problema, como se cita, onde se admite dúvida.

Para achar o que se pensou aqui sobre um clássico. Há leitura brasileira de Kant, Espinosa, Hume e Hegel que não existe em inglês, e boa parte dela passou por esta revista.

Para não se fechar numa corrente. Ler fora da própria tradição é o antídoto mais barato contra a especialização precoce.


Um conselho de leitura

Comece pelos artigos sobre autores que você já leu em fonte primária. A diferença entre a sua leitura e a de um especialista é a medida exata do que ainda falta, e é um diagnóstico que nenhuma prova fornece.

Acessar a Discurso

Imagem: O Sermão de São João Batista, Pieter Bruegel, o Velho, 1566. Museu de Belas-Artes, Budapeste, domínio público. Gente de toda condição e procedência ouve o mesmo discurso, como a revista que publica sem distinguir correntes ou escolas.

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