Perspectiva Teológica: Qualis A1 e cinquenta e cinco anos de arquivo aberto
Se existe um periódico brasileiro de teologia que dispensa apresentação, é este. A Perspectiva Teológica, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, é classificada como Qualis A1 — o estrato máximo da CAPES na área — e publica ininterruptamente desde 1969.
São cinquenta e cinco anos de arquivo, integralmente aberto, sob licença Creative Commons, sem cobrar nada de quem lê nem de quem publica.
Por que ela importa para a sistemática
O escopo declarado cobre reflexão teológica sistemática, bíblica e pastoral: a sistemática aparece nomeada entre as áreas, desdobrada em duas frentes: as fontes bíblicas da tradição cristã e a interpretação dessa tradição nos horizontes atuais.
Essa segunda frente é a definição mais econômica que se pode dar de teologia sistemática. Não se trata de repetir a dogmática recebida, e sim de perguntar o que ela diz hoje, com que vocabulário e diante de que interlocutores.
O que o rigor editorial significa na prática
Avaliação em duplo-cego por dois pareceristas da área temática específica, prazo de trinta dias, periodicidade quadrimestral cumprida há décadas. Isso é o que sustenta o A1, e é o que faz a diferença numa banca: citar A1 tem peso distinto de citar boletim institucional.
Ademais, o arquivo longo permite uma coisa que poucos periódicos brasileiros oferecem — acompanhar como um mesmo tema foi tratado ao longo de meio século, e ver o que mudou na pergunta, não só na resposta.
Um aviso de leitura
É revista jesuíta, e a matriz católica aparece na escolha dos temas e nos pressupostos eclesiológicos. Não obstante, isso não é obstáculo: a teologia sistemática católica de língua portuguesa acumulou décadas de reflexão sobre graça, cristologia e antropologia teológica que o campo evangélico brasileiro ainda está começando a sistematizar.
Ler quem pensa a partir de outra tradição, na melhor versão dela, fortalece o argumento próprio em vez de enfraquecê-lo.
Como usar
- Entre pelo arquivo, não pelo número atual. Com cinquenta e cinco anos disponíveis, o que interessa quase nunca está na edição corrente.
- Busque por locus, não por palavra solta. Pesquisar “cristologia” ou “escatologia” rende mais que pesquisar um termo técnico isolado.
- Registre o estrato ao fichar. Anote Qualis, ISSN e ano junto com a referência; na montagem da bibliografia final você saberá o peso de cada item.
- Use como contraponto confessional. Ao sustentar uma tese pentecostal, mostrar que leu a tradição católica sobre o mesmo problema é sinal de maturidade, não de concessão.
Acessar a revista
Perspectiva TeológicaArquivo desde 1969







