Aristóteles, de chapéu largo e corrente de ouro, pousa a mão sobre o busto de Homero e o contempla.
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Kant em quatro aulas gratuitas, com Mario Porta

Kant é o filósofo que mais se cita sem ter lido. A Crítica da Razão Pura intimida com razão, e a saída usual — manual, resumo, vídeo de dez minutos — costuma entregar fórmulas prontas que não resistem à primeira pergunta: por que ele precisou dizer isso?

Há um curso gratuito que resolve bem esse problema de entrada: Introdução à Filosofia de Immanuel Kant, quatro aulas na Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, gravadas e abertas.

O que é

Curso de extensão em quatro encontros de cerca de duas horas, realizado em 2021. As inscrições estão encerradas há tempos, mas as quatro aulas continuam no ar, públicas, no canal da Escola do Parlamento. São aproximadamente oito horas de aula.

O recorte é anunciado com honestidade: dirige-se a iniciantes em filosofia e a público geral, e organiza-se em torno do problema crítico em suas duas dimensões, a epistemológica e a ética.

Quem ministra, e por que isso importa

O docente é Mario Ariel González Porta, professor titular da PUC-SP, com doutorado em Münster e pesquisa concentrada em Kant, neokantismo, fenomenologia e psicologismo. Coordena o Grupo de Pesquisa Origens da Filosofia Contemporânea.

Para quem estuda método, há um detalhe que vale conhecer: Porta é o autor de A filosofia a partir de seus problemas (Loyola, 2002), o livro que defende que a tese filosófica só se entende em correlação com o problema a que responde. Ouvir o autor dessa tese expondo Kant é ver o método em operação, e não só enunciado.

Como usar

Antes do texto, não no lugar dele. Oito horas de aula não substituem a leitura da Crítica; encurtam a entrada nela. Assista e depois abra o texto, não o contrário.

Anote o problema de cada aula. Se o curso é construído a partir de problemas, a melhor forma de acompanhá-lo é registrar, ao fim de cada encontro, qual pergunta foi posta e qual resposta foi defendida.

Use a parte ética como ponte. Quem vem da teologia encontra ali o vocabulário com que boa parte da moral moderna foi escrita, e que circula na discussão pública sem que se saiba de onde veio.


Uma ressalva

Isto é aula gravada, não publicação com avaliação por pares. Serve para entender e para entrar num autor; não serve como fonte de citação em trabalho acadêmico. Para citar, vá aos textos de Kant e à literatura especializada.

Acessar o curso e as quatro aulas

Imagem: Aristóteles com o Busto de Homero, Rembrandt van Rijn, 1653. The Metropolitan Museum of Art, Nova York, domínio público. O filósofo medita diante do poeta: a razão que examina a si mesma diante da tradição, como Kant faria nas três Críticas.

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