Pentecostalismos: Uma Superação da Discriminação Racial, de Classe e de Gênero? — Gedeon Freire de Alencar & Maxwell Pinheiro Fajardo

Gedeon Freire de Alencar & Maxwell Pinheiro Fajardo — no relato bíblico de Atos dos Apóstolos, no dia de Pentecoste, as diferenças raciais, as distinções de classe e as barreiras de gênero não foram impedimento para que “todos fossem cheios do Espírito”. É a partir dessa premissa teológica que Gedeon Freire de Alencar e Maxwell Pinheiro Fajardo investigam, neste artigo, se o pentecostalismo moderno cumpriu — ou traiçoeiramente abandonou — essa promessa de superação das discriminações.

Os autores recordam que o pentecostalismo nascente, na Azusa Street em 1906, foi marcado precisamente pela quebra das rígidas fronteiras segregacionistas dos EUA da época — brancos e negros, homens e mulheres, ricos e pobres adoravam juntos, cheios do mesmo Espírito. Desse modo, a questão que o artigo levanta é profundamente teológica e histórica: o que aconteceu com esse potencial igualitário ao longo do desenvolvimento do movimento?

Não obstante os avanços inegáveis, os autores demonstram que o pentecostalismo também reproduziu, em muitos contextos, as discriminações que prometia superar — seja pela reafirmação de hierarquias de gênero, seja pela omissão diante do racismo ou das desigualdades de classe. Outrossim, o artigo aponta para as tensões constitutivas de um movimento que carrega, simultaneamente, potencial libertador e tendências conservadoras. Em suma, trata-se de uma análise corajosa, necessária e teologicamente fundamentada.

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