Justiça e Esperança: Uma Proposta de Releitura da Escatologia Oficial no Pentecostalismo Clássico — Ailto Martins
Ailto Martins — a relação entre escatologia e ética social constitui uma das tensões mais produtivas — e mais negligenciadas — dentro do pentecostalismo clássico. Em seu artigo publicado no periódico Protestantismo em Revista, Ailto Martins enfrenta essa tensão de frente, propondo uma releitura crítica da escatologia oficial do movimento à luz das categorias de justiça e esperança.
O argumento central do autor é que o dispensacionalismo assimilado pelo pentecostalismo clássico produziu uma escatologia de retirada e resignação, despolitizando a fé e enfraquecendo o compromisso transformador da comunidade cristã com o mundo. Não obstante, Martins não descarta a dimensão escatológica da fé pentecostal — pelo contrário, procura recuperá-la em bases mais bíblicas, articulando a esperança do Reino com a busca concreta por justiça.
Ademais, o trabalho dialoga com a tradição profética do Antigo Testamento e com a teologia da esperança de Jürgen Moltmann, demonstrando que a expectativa do retorno de Cristo não precisa redundar em passividade social. Em suma, trata-se de uma contribuição corajosa e necessária para o amadurecimento teológico do pentecostalismo brasileiro.
