Religião e Memória: Afirmação da Memória Institucional da Igreja Assembléia de Deus no Brasil — Maxwell Pinheiro Fajardo
Maxwell Pinheiro Fajardo — em 2011, as Assembleias de Deus no Brasil completaram seu primeiro centenário de fundação — uma efeméride que suscitou reflexões sobre identidade, história e memória institucional. Publicado na Revista Brasileira de História das Religiões (ANPUH, Ano V, n. 13, Maio 2012), este artigo de Maxwell Pinheiro Fajardo examina a relação entre religião e memória na modernidade, tomando a Assembleia de Deus como campo privilegiado de análise.
Apoiado no conceito de memória coletiva formulado por Maurice Halbwachs, o autor investiga como a Assembleia de Deus construiu e afirmou sua memória institucional ao longo de cem anos — selecionando eventos fundacionais, consolidando narrativas sobre seus pioneiros e produzindo uma identidade denominacional coesa diante da diversidade do campo pentecostal brasileiro. Desse modo, a análise revela que a memória religiosa não é simples registro do passado, mas instrumento ativo de identidade e legitimação no presente.
Não obstante a especificidade do caso assembleiano, o artigo levanta questões de alcance mais amplo sobre como as comunidades religiosas constroem e disputam suas narrativas históricas. Outrossim, o trabalho contribui para a historiografia do protestantismo e do pentecostalismo brasileiros, ao demonstrar que a memória é campo de poder e de significado tão relevante quanto a doutrina ou a liturgia. Em suma, é uma contribuição valiosa para os estudos históricos e sociológicos do pentecostalismo no Brasil.
